Stress, saiba o que é


É uma reação de defesa do organismo em resposta a uma situação “percebida” como ameaçadora ou perigosa. Essa reação pode atuar de forma positiva ou negativa no individuo causando-lhe reações fisiológicas e emocionais.
Certo grau de stress é normal e até importante para defesa do organismo, e é comum encontrarmos situações desafiadoras que causem tensão em nosso cotidiano, sejam elas na esfera pessoal, social ou profissional.
Falar em publico, apresentar um trabalho, tocar um instrumento, participar de uma competição esportiva, passar por uma avaliação ou simplesmente dirigir pode causar maior ou menor tensão, e certamente experimentamos um nível de stress. Fatores como doenças na família, dificuldades financeiras, violência urbana, conflitos pessoais com certeza geram grande tensão.

Cada pessoa reage conforme a sua percepção, e esta, irá determinar se a situação percebida é negativa ou positiva. Atuando de maneira positiva o “stress” motiva e estimula o individuo a lidar com determinada situação, nos empurra para agir buscando saídas. Quando age negativamente leva o individuo se acovardar fazendo com que se intimide e fuja da situação.
Isto dependera do nível de percepção que a pessoa tem do estimulo apresentado, se e algo que o coloca em perigo e deve agir ou algo que cria uma excitação interior e o leva agir positivamente.
A saúde física e emocional depende da interpretação que temos do mundo exterior, da nossa auto-estima e da maneira que nos relacionamos com o que nos cerca.
Isto significa que uma situação altamente estressante para uma pessoa, pode ser absolutamente administrável para outra.
 Historicamente, o termo stress passou a definir não somente aspectos relacionados com a engenharia do qual foi originado, como também ser utilizado para designar estados de adversidade e aflição no ser humano.
Hans Seyle em 1926, endocrinologista, trouxe maior compreensão do termo stress definindo o como um conjunto de reações que ocorrem no organismo quando submetido a situações que dele exigem esforço adaptativo.
Biologicamente podemos dizer que a resposta desse organismo quando submetido á agressão súbita pode variar de uma ligeira tensão a contrações musculares exacerbadas, dificuldades respiratórias, suor excessivo, etc.
Psicologicamente as reações podem causar agitação, perturbação na organização do pensamento, ansiedade, depressão, desinteresse sexual, etc.
O nível de stress pode demonstrar pontos de equilíbrio e desequilíbrio para a pessoa na medida em que consegue manter ou perder o controle da situação.
De modo geral podemos dizer que a produção de substancias em nosso corpo, como por exemplo, a adrenalina, visa à mobilização e a dispensa de energia numa reação de urgência que rapidamente possibilita a movimentação rápida do organismo.
Três grandes fases compõem o stress, a saber:
-Fase de alarme começa com um estado de surpresa que altera o equilíbrio funcional. É um estado de sofrimento generalizado e intenso que provoca no organismo um desequilíbrio e ao mesmo tempo uma necessidade de adaptação. O individuo tem uma reação de urgência que pode ser de luta ou fuga da situação, e esta reação vão depender do nosso sistema nervoso simpático que vai estimular as glândulas responsáveis pela secreção de adrenalina diretamente relacionada ao reflexo da resposta.
-Fase de resistência se manifesta quando as reações provocadas por algo estressante persistem e o organismo se adapta a esta fase, permanecendo longo tempo sofrendo os efeitos provocados pelo stress.
 Nesta fase começam alguns sintomas como perda da concentração, instabilidade emocional, depressão e que muitos não conseguem relacionar com stress. Entretanto, aos poucos o organismo pode buscar recursos internos e retornar o equilíbrio, mas também em não conseguindo estes recursos, pode evoluir até a fase final e mais crítica.
-Fase de exaustão ou esgotamento acontece quando o stress continua por muito tempo e o organismo não consegue adaptação e equilíbrio, vindo a se fatigar. Aqui podem aparecer reações de raiva e depressão.
Se o organismo não consegue uma resposta positiva durante muito tempo, ou seja, buscar uma nova resposta, uma saída para a situação estressante, certamente irão aparecer efeitos psicológicos e fisiológicos, pois a necessidade de adaptação continua e chega o momento que é incapaz de agir e suas defesas imunológicas podem dar lugar a doenças como ulceras, hipertensão, asma, doenças de pele em vários níveis.
O grau de stress vivenciado em dada situação esta associado ao grau de risco presente, avaliação que é feita pela própria pessoa. O efeito do stress sobre o organismo pode ser de um mal estar ou desconforto passageiro, a um transtorno mental ou físico mais severo.

Por outro lado devemos considerar um indicador importante se stress deprime ou imobiliza nossas ações, este é o momento que sinaliza a necessidade de ajuda, o conhecimento maior e compreensão de si mesmo em busca de um estado de equilíbrio. O stress mostra um desequilíbrio entre o que e percebido e a capacidade de resposta.
Quanto mais uma pessoa entende as pressões e situações que o influenciam, maior chance ela tem de se adaptar às demandas ao longo de sua vida. O stress serve como um indicador de desequilíbrio a qual todos os somos suscetíveis, mas também mostra que somos capazes de reagir e buscar novo equilíbrio.
Se uma situação exterior importante nos afeta, causando um desequilíbrio momentâneo, mas nos faz agir buscando controle da situação, isto é uma informação positiva que temos sobre nós mesmos e que seguramente nos auxiliará perante novos desafios. Numa situação contraria, onde perdemos o sono, o apetite e não conseguimos manter a organização da rotina geral, perdemos o controle da situação também temos um indicador que existe um ponto de desequilíbrio e que não é mais momentâneo, que não conseguimos controlar e nem minimizar seus efeitos.
Ambas as situações servem para mostrar que agimos quando estamos preparados a agir, e tornamos nos imóveis quando não sabemos que somos aptos a agir.

Maria Aparecida Martins - Psicodramatista